Jidoka (autonomação)
"[....] para nós, parar a linha significa garantir que ela se tornará uma linha mais forte, que não terá que ser paralizada novamente pelo mesmo motivo." - Taiichi Ohno
O Sistema Toyota de produção propôs várias melhorias nos processos produtivos, normalmente com foco na redução de custos e na identificação e eliminação de perdas. É nesse contexto que o sistema é formulado com dois pilares essenciais: o JIT (Just-In-Time) e o Jidoka.

O Contexto Histórico
Foi no início no século XX que Sakichi Toyoda desenvolveu um tear auto-ativado (automático). Após alguns anos, na década de 20, Toyoda conseguiu implementar um tear que possuía a capacidade de interromper a produção de forma automática quando havia uma falha ou quando atingia a quantidade programada de tecido.
Alguns anos depois, Taiichi Ohno integrou-se à Toyota Motor Company, com o desafio lançado por ninguém menos que Kiichiro Toyoda (filho de Sakichi) a fim de otimizar a fábrica e alcançar outros mercados. Ohno entendeu que precisava reorganizar o layout da fábrica e reduzir a quantidade de mão de obra. Para alcançar esse objetivo, percebeu que os operadores só seriam realmente eficientes se as máquinas conseguissem detectar anormalidades por conta própria. Foi a partir dessa ideia que surgiu o conceito de Jidoka, ou seja, dar autonomia às máquinas para identificar problemas e interromper a produção sempre que necessário.
Conceito
Jidoka pode ser entendido como "autonomação" ou "automação com um toque humano". Esse conceito representa a automação da função de controle: o processo é interrompido automaticamente assim que uma anomalia é detectada, evitando que o erro se propague para as etapas seguintes.
A ideia central do jidoka é agir imediatamente, no momento e no local em que o defeito ocorre, direcionando esforços para resolver o problema sem demora. O conceito está diretamente ligado à autonomia de máquinas e operadores, desempenhando papel essencial na garantia da qualidade do processo e do produto.
Na Toyota, o princípio da autonomação não se limita às máquinas: ele também se aplica às linhas manuais de montagem. Sempre que uma anomalia é identificada, qualquer operador tem autoridade para interromper a produção e iniciar a análise e correção do problema. Essas paradas, tanto da linha quanto das máquinas, são comunicadas por meio do sistema visual andon. O andon é um painel luminoso colorido, muitas vezes acompanhado de sinal sonoro, que mostra o estado da linha e indica claramente o ponto onde a assistência é necessária, permitindo que todos percebam a situação.

Na prática...
Um estudo publicado na revista Espacios, evidenciou a prática como o conceito do Jidoka é aplicado em uma linha de produção de eletrônicos SMT (Surface Mount Technology). Alguns exemplos de aplicação são:
Autonomia das máquinas e operadores: os equipamentos possuem mecanismos automáticos (alimentação, contagem, monitoramento de temperatura e deslocamento de peças) que reduzem a necessidade de um operador por máquina. Além disso, os operadores têm autoridade para parar a linha quando identificam problemas, seguindo o princípio central do Jidoka.
Multifuncionalidade e flexibilidade da mão de obra: o layout fabril é ajustado para permitir que um operador atue em várias máquinas, adaptando-se à demanda.
Segurança e qualidade assegurada: sensores de portas, presença e bloqueio automático evitam acidentes; sistemas poka-yoke e inspeções automáticas garantem que defeitos sejam detectados e eliminados na origem.
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